| O Futuro da Pecuária de Corte. |
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Qual será o futuro da produção de carne bovina, num universo de 40 anos?
Estima-se que a população mundial chegará a 9 bilhões de habitantes em 2050, ou seja um aumento de aproximadamente 30% sobre o que temos hoje no globo e se o enriquecimento das nações mantiver a taxa positiva de crescimento, boa parte desta população terá acesso a alimentos, portanto a necessidade de produzi-lo de maneira eficiente será premente, principalmente no aspecto de utilização da terra. Se considerarmos as principais culturas agrícolas e a pecuária de corte, temos que a soja produz 1500kg de proteína por ha, o milho 900 kg/há e a pecuária de corte se conseguíssemos 1000 kg/peso vivo/ ha teremos algo 300 kg de proteína, portanto a atividade não pode ocupar terras com potencial agrícolas.
Além disso, a pressão para que não se abram novas áreas de floresta, certamente deslocará a pecuária de corte para áreas de terras dobradas e pobres, o que já aconteceu nos estados do sul, no Paraná tem um bom exemplo, na região dos campos gerais, onde há 40 anos as terras eram exclusivamente de pecuária e hoje são terras agrícolas de alta produtividade, onde a pecuária só entra na forma de integração, não mais como ocupação principal.
Podemos concluir que a pecuária de corte vai se tornar uma atividade “marginal” (de a margem de) às áreas agrícolas e devemos nos preparar para isso gerando e adaptando os atuais sistemas de produção para possamos manter bons níveis de produtividade e lucratividade na atividade. Alguns aspectos parecem ser prioritários, entre eles: - estabelecimento de sistemas forrageiros eficientes para áreas de terras pobres e dobradas capazes de suportar lotações razoáveis e produções próximas a 500 kg/ha/ano; - seleção de animais com melhor capacidade de conversão e capazes de produzir, sem a necessidade de suplementação de grãos, que serão prioritariamente utilizados na alimentação humana; - mudança dos parâmetros de avaliação de desempenho dos rebanhos de ganho total por tempo, para eficiência na conversão das forragens.
Às vezes estamos tão envolvidos nas atividades do dia a dia, que não damos conta da evolução das atividades, mas é fundamental refletirmos e dentro do possível estarmos preparados para o que o futuro nos reserva. E neste aspecto a raça Caracu pode ter um papel importante na pecuária do futuro, garantindo eficiência e qualidade, dentro do modelo de produção de carne que nos espera, num futuro não muito distante.
Felipe Pohl de Souza, MV, MsC
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